Farm News 8/6 a 14/6
Safra na América do Sul impulsiona a oferta global de milho
O cenário macroeconômico para os grãos forrageiros, com destaque para o milho, apresenta uma forte liquidez e expansão na oferta global. O relatório WASDE de junho trouxe uma visão otimista para a safra 2026/27, revisando a produção mundial de grãos forrageiros para cima em 5,8 milhões de toneladas, alcançando o patamar de 1,594 bilhão de toneladas.
Esse fôlego produtivo reflete diretamente na contabilidade dos estoques finais globais de milho, que foram elevados em 3,7 milhões de toneladas em relação à estimativa de maio, somando agora 281,2 milhões de toneladas para o ciclo 2026/27.
O grande motor dessa revisão positiva está concentrado na América do Sul, com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) ajustando para cima as estimativas da safra 2025/26 para o Brasil, a Argentina e o Paraguai.
No balanço brasileiro, a revisão altista captura um impulso nas expectativas de rendimento tanto para a primeira quanto para a segunda safra (safrinha).
De acordo com as tabelas consolidadas do documento, a produção de milho no Brasil na temporada 2025/26 é estimada em robustas 138,00 milhões de toneladas, garantindo ao país um volume de exportação na casa das 43,00 milhões de toneladas.
Fonte: Agrolink
El Niño: culturas de inverno e soja exigem manejo estratégico
A confirmação do El Niño pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) acendeu um sinal de alerta para o agronegócio brasileiro. Com a atmosfera e o Oceano Pacífico já operando sob influência do fenômeno, produtores rurais entram na safra 2026/27 diante de um cenário de maior instabilidade climática e necessidade de planejamento mais rigoroso.
As projeções indicam um Brasil dividido entre excesso e escassez de chuva. Enquanto os estados do Centro-Sul devem registrar chuvas acima da média nos próximos meses, áreas do Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste podem enfrentar períodos prolongados de estiagem e temperaturas elevadas.
“Mato Grosso do Sul, São Paulo e os três estados do Sul devem ter chuva acima da média em julho. O Paraná tende a ser o primeiro estado a sentir os efeitos mais intensos do El Niño, com chuva frequente acima da média”, explica a meteorologista Estael Sias.
As projeções indicam que esse padrão mais úmido deverá persistir durante agosto e setembro, alcançando inclusive áreas do Sul de Minas Gerais. Em outubro, os volumes de chuva podem ficar ainda mais elevados em boa parte do Centro-Sul brasileiro.
O aumento das chuvas traz preocupação principalmente para os agricultores do Sul do país. O excesso de umidade durante o inverno e a primavera pode provocar encharcamento do solo, dificultar operações de campo e favorecer o surgimento de doenças fúngicas.
Fonte: Notícias Agrícolas
Crédito rural reduz 5% e movimenta R$ 433 bilhões na agricultura empresarial
O crédito rural destinado à agricultura empresarial somou R$ 433 bilhões entre julho de 2025 e maio de 2026, no âmbito do Plano Safra 2025/2026. O montante é 5% inferior aos R$ 458,1 bilhões contratados no mesmo período da safra anterior.
Os dados, ainda provisórios, constam do Boletim de Desempenho do Crédito Rural elaborado pelo Departamento de Financiamento (Defin), da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com base em informações do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central do Brasil.
O principal destaque do período foi o crescimento dos financiamentos destinados à industrialização, que passaram de R$ 19,7 bilhões para R$ 31,5 bilhões, alta de 59,5%. O resultado reflete a ampliação do processamento e da agregação de valor aos produtos agropecuários, com participação relevante das cooperativas. A industrialização também foi a única finalidade a registrar aumento no número de contratos, com avanço de 17,7%.
As Cédulas de Produto Rural (CPR) mantiveram trajetória de crescimento e alcançaram R$ 185,2 bilhões em contratações, aumento de 8% em relação ao mesmo período da safra anterior. Com isso, a CPR passou a representar 42,8% do volume total concedido na safra 2025/2026, ante 37,4% no ciclo anterior, consolidando-se como o principal instrumento de financiamento do custeio agrícola.
Fonte: Mapa
Colheita de milho safrinha 2026 atinge 6,32% da área no Brasil
A colheita de milho segunda safra 2026 do Brasil avançou para 6,32% da área total, ante 5,57% na mesma época do ano passado, segundo dados da consultoria Pátria Agronegócios.
A empresa afirma que a média dos últimos cinco anos foi de 8,86% para o período.
“Os resultados são positivos até o momento no Mato Grosso, onde o avanço é maior. A colheita deve caminhar em ritmo mais lento neste 2026, tendo em vista os atrasos da janela de plantio em grande parte do país”, afirmou a consultoria.
No Mato Grosso, a colheita do milho na safra 2025/26 atingiu 11,29% da área cultivada, avanço de 5,44 pontos percentuais, e segue adiantada em relação ao mesmo período do ano passado, quando somava 7,20%, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Apesar do ritmo mais acelerado na comparação anual, os trabalhos permanecem abaixo da média histórica para a época, de 13,35%. De acordo com o Imea, o avanço semanal, contudo, indica intensificação das atividades no campo no maior produtor brasileiro do cereal.
A safra de milho de Mato Grosso em 2025/26 está estimada em 53,35 milhões de toneladas, 3,76% abaixo do recorde registrado no ciclo passado.
Fonte: CNN Agro
Portos do Paraná ampliam em 14,3% carga movimentada em maio
Impulsionada pelo aumento das exportações, a Portos do Paraná movimentou 6,12 milhões de toneladas em maio, volume 14,3% superior ao do mesmo mês do ano passado, quando somou 5,35 milhões de toneladas. No acumulado de janeiro a maio, a movimentação total alcançou 28,87 milhões de toneladas, alta de 2,4% em relação ao mesmo período de 2025, que registrou 28,19 milhões.
As exportações responderam pela maior parte do avanço. Em maio, os embarques somaram 4,04 milhões de toneladas, cerca de 900 mil toneladas a mais do que em igual mês do ano anterior, o que representa crescimento de 28,8%. As importações, por sua vez, totalizaram 2,07 milhões de toneladas, aproximadamente 140 mil toneladas abaixo do resultado de 2025.
Segundo o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, os números reforçam a competitividade do complexo portuário. Ele afirma que “toda essa movimentação demonstra que os portos paranaenses são altamente competitivos e geram bons resultados para os operadores que atuam aqui”.
Garcia destaca ainda que a administração mantém um programa contínuo de melhorias. “Seguimos investindo em infraestrutura, modernização de sistemas e capacitação de pessoal. Só assim é possível construir uma logística cada vez mais inteligente e eficiente”, ressalta o executivo.
Fonte: Band
Processos da Moratória da Soja ficam sem acordo e retornam aos relatores no STF
O Supremo Tribunal Federal (STF) não conseguiu construir um acordo entre agricultores, indústria, Ministério Público e ambientalistas sobre o futuro da Moratória da Soja. Nesta sexta-feira (12/6), o Núcleo de Solução Consensual de Conflitos (Nusol) da corte enviou os quatro processos que tratam do tema e que contestam a legalidade do pacto de volta aos ministros relatores.
A tentativa de mediação entre os envolvidos foi anunciada em março deste ano, durante análise das ações no plenário do STF. Como não houve consenso desde então, os processos deverão ser levados a julgamento, ainda sem previsão de data.
De acordo com despacho assinado por Álvaro Ricardo de Souza Cruz, juiz auxiliar do gabinete da presidência do STF e supervisor do Nusol, houve avanços na busca de conciliação durante as reuniões e conversas conduzidas pelo órgão entre abril e maio deste ano, mas depois houve recuo das partes.
“Durante as tratativas, instaurou-se amplo diálogo entre os envolvidos, tendo-se verificado, em determinado momento, ambiente propício à construção de solução consensual. Contudo, sobreveio recuo das partes, o que impossibilitou a composição”, diz despacho de sexta-feira (12/6).
O Nusol reenviou as quatro Ações Diretas de Inconstitucionalidade aos ministros relatores: 7774 (Flávio Dino), 7775 (Dias Toffoli), 7863 e 7959, ambas relatadas por Luiz Fux. As ADIs 7774 e 7775 contestam leis estaduais de Mato Grosso e Rondônia, que retiraram benefícios fiscais de empresas que participam de acordos privados como a Moratória da Soja.
Fonte: Globo Rural
Pesquisa do IFRS avalia impactos da compactação do solo
A compactação do solo tem se tornado um dos principais desafios enfrentados pela agricultura brasileira, especialmente em regiões impactadas por estiagens frequentes. Além de dificultar o desenvolvimento das raízes, o problema reduz a infiltração de água, limita a circulação de ar no solo e compromete a eficiência do plantio direto, sistema amplamente utilizado na produção de grãos no país.
Dois estudos conduzidos pelo Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), no campus de Ibirubá, vêm avaliando alternativas para melhorar as condições físicas e químicas do solo sem necessidade de revolvimento excessivo da área.
As pesquisas foram realizadas em área experimental da instituição e analisaram os efeitos da descompactação mecânica associada à aplicação de corretivos agrícolas, como calcário e gesso, sobre atributos químicos do solo e o desempenho da cultura da soja.
Os trabalhos avaliaram diferentes manejos em sistema plantio direto, buscando compreender de que forma práticas voltadas à descompactação podem contribuir para ampliar a infiltração de água e melhorar o ambiente radicular das plantas.
Os resultados apontaram que a combinação entre manejo mecânico e calagem apresentou os melhores indicadores de correção da acidez em subsuperfície. Segundo os pesquisadores, o pH do solo permaneceu mais elevado nas áreas em que o descompactador rotativo foi utilizado junto à aplicação de calcário, indicando maior movimentação do corretivo para camadas mais profundas.
Enquanto a calagem superficial apresentou efeitos mais concentrados nos primeiros 10 centímetros do solo, os manejos associados à descompactação mostraram resultados observados até cerca de 15 centímetros de profundidade.
Fonte: Revista Cultivar
Argentina reduz impostos de exportação sobre grãos e projeta novos cortes até 2028
O governo argentino formalizou pelo Decreto 423/2026 a redução das alíquotas de exportação sobre trigo e cevada de 7,5% para 5,5%, com vigência imediata.
A medida é a terceira rodada de cortes tributários sobre o agronegócio desde a posse de Milei em dezembro de 2023 e foi acompanhada de um cronograma de reduções adicionais até 2028 para soja (de 24% para 15%), milho e sorgo (de 8,5% para 5,5%) e girassol (de 4,5% para 3%), condicionado ao desempenho econômico do país.
A redução coincide com o início do plantio de trigo na Argentina. O próprio relatório do USDA mencionado na nota apontava risco de queda de área plantada em função do alto custo de fertilizantes. A desoneração visa evitar a redução da área plantada ao reduzir custos e permitir ao produtor pagar pelo fertilizante necessário para safra.
No médio prazo, o cronograma de desonerações para soja e milho aponta para uma recuperação estrutural da demanda argentina por MAP, KCl e ureia a partir das safras 2027/28.
Para o Brasil, o efeito é ambíguo: uma Argentina mais competitiva nas exportações pode pressionar os preços das commodities para baixo, comprimindo margens dos produtores brasileiros, enquanto a expansão da demanda regional por fertilizantes pode exercer alguma pressão altista sobre preços já pressionados pelo lado da oferta global.
Fonte: Globalfert
