Farm News 6/4 a 12/4
Exportações: faturamento do agro atingiu novo recorde em 2025
Por mais um ano, o agronegócio nacional atingiu recorde no faturamento com as exportações de seus produtos. Esse cenário foi verificado mesmo diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos, que são o terceiro maior destino do setor brasileiro.
Pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, realizadas com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), da Secretaria de Comércio Exterior (sistema Siscomex), mostram que o Brasil faturou US$ 169 bilhões em 2025, valor 3% maior que o do ano anterior. O resultado se deve ao crescimento de 3,4% no volume escoado, tendo em vista que o preço médio anual caiu ligeiro 0,4%.
Segundo pesquisadores do Cepea, os volumes escoados das carnes bovina e suína, celulose, soja em grão, algodão e milho cresceram em 2025 frente ao ano anterior. Quanto ao preço, aumentos foram verificados para as carnes bovinas e suína, o etanol, o café e o óleo de soja.
Os principais destinos dos produtos do agronegócio brasileiro seguem sendo China (sobretudo complexo soja), União Europeia (especialmente florestais, café, frutas e suco de laranja) e Estados Unidos (principalmente madeira, suco de laranja, etanol, café, frutas, celulose e carne bovina).
Fonte: Cepea
Crédito rural avança 10% e atinge R$ 404 bilhões
O crédito rural empresarial somou R$ 404 bilhões em contratações entre julho de 2025 e março de 2026, alta de 10% em relação aos R$ 368 bilhões registrados no mesmo intervalo da safra anterior. Os dados constam no Boletim do Crédito Rural do Plano Safra 2025/2026, elaborado pelo Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário, da Secretaria de Política Agrícola, com base em informações do Banco Central.
Do total contratado, R$ 387 bilhões já foram efetivamente concedidos, ou seja, liberados nas contas dos produtores, o que representa crescimento de 5% na comparação anual.
A emissão de Cédulas de Produto Rural se destacou no período, com avanço de 38% e volume de R$ 183,1 bilhões. Como esse instrumento é majoritariamente utilizado para custeio da safra, sua soma ao crédito de custeio tradicional elevou os recursos destinados à atividade para R$ 303,1 bilhões, aumento de 13% frente à safra 2024/2025.
Segundo a Secretaria de Política Agrícola, o avanço nas contratações e concessões reflete a solidez do sistema de financiamento agropecuário, mesmo em um cenário de maior seletividade por parte de produtores e instituições financeiras.
Fonte: Revista Cultivar
CNA alerta para calendário de semeadura e vazio sanitário da soja
Com a divulgação dos períodos de vazio sanitário e do calendário de semeadura da soja para a safra 2026/2027, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) ressalta a importância do manejo adequado da lavoura para garantir a produtividade e evitar doenças. Os períodos do vazio sanitário e de semeadura estão na Portaria SDA/MAPA nº 1.579, publicada dia 10/4 no Diário Oficial da União.
O Ministério da Agricultura manteve os períodos adotados na safra 2025/2026 nos principais estados produtores, mas definiu mudanças na Bahia, que passou a contar com quatro regiões distintas para definição das janelas de vazio sanitário e semeadura.
Segundo o assessor técnico da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, Tiago Pereira, o cumprimento das medidas fitossanitárias, aliado ao monitoramento constante e ao controle de plantas voluntárias, é decisivo para reduzir a incidência da ferrugem asiática e garantir produtividade.
“O vazio sanitário segue como uma das principais ferramentas para interromper o ciclo do fungo, ao eliminar a presença de plantas vivas de soja no período de entressafra. Já o calendário de semeadura ajuda a reduzir a sobreposição de lavouras e a limitar a disseminação da doença ao longo do ciclo produtivo”, explica.
Fonte: CNA
Relação de troca se deteriora com alta dos fertilizantes e limitações nas commodities
A relação de troca entre fertilizantes e commodities agrícolas voltou a se deteriorar nas últimas semanas, refletindo o descompasso entre insumos em patamares elevados e preços agrícolas limitados por um cenário de oferta confortável.
Em termos práticos, o produtor passou a necessitar de um volume maior de grãos ou açúcar para adquirir a mesma quantidade de fertilizantes, pressionando diretamente as margens.
No mercado de soja, os fundamentos seguem relativamente equilibrados, mas com viés de oferta ampla. Os estoques globais são projetados em cerca de 124,8 milhões de toneladas, enquanto a produção brasileira é estimada em 180 milhões de toneladas para 2025/26, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Esse nível elevado de disponibilidade reduz o potencial de valorização da commodity, mesmo diante de demanda firme, o que limita o ganho de poder de compra do produtor.
Como reflexo direto, a relação de troca NPK/soja apresentou deterioração relevante, com aumento de aproximadamente 11% no início de 2026 em comparação à média de 2025, evidenciando a perda relativa frente aos fertilizantes.
Para o milho, o movimento é ainda mais evidente. Com estoques globais ao redor de 294,8 milhões de toneladas e produção brasileira estimada em 132 milhões de toneladas, deixando o mercado bem abastecido. Esse excedente reduz a sustentação dos preços, enquanto os fertilizantes permanecem pressionados.
Fonte: Globalfert
Conab inicia pesquisa de campo para elaboração do segundo levantamento da safra de café
Os trabalhos para elaboração do 2º Levantamento de Café – Safra 2026 já iniciaram, com técnicos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indo a campo para apurar as informações em dez estados brasileiros. Os dados levantados neste trabalho, que segue até 17/4, servirão de base para compor as análises com as estimativas de produção e de produtividade para áreas plantadas de café arábica e conilon.
Durante as pesquisas, são aplicados questionários que incluem variáveis acerca das características das lavouras, nível tecnológico e de manejo e ocorrência de fatores climáticos e fitossanitários. A partir de análises estatísticas e do mapeamento por sensoriamento remoto, do monitoramento agrometeorológico e da série histórica de dados, a Conab divulga a previsão para a safra em curso.
Participam do levantamento produtores, cooperativas, associações, instituições públicas de agricultura, órgãos de assistência técnica e extensão rural e demais agentes envolvidos na cadeia produtiva do café nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Bahia, Rondônia, Paraná, Rio de Janeiro, Goiás, Mato Grosso e Amazonas. Com o início da colheita pelos estados produtores, o segundo levantamento do ano permite melhor definição das expectativas de produtividade.
A primeira pesquisa de 2026, publicada em fevereiro, apontou o crescimento de pouco mais de 17% em relação à safra colhida no ciclo anterior. De acordo com o boletim técnico, o número de sacas beneficiadas deve ultrapassar 66 milhões.
Fonte: Conab
Safrinha menor pode elevar preços do milho
Segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), referente à semana de 3 a 9 de abril e divulgada dia 9/4, os preços do milho apresentaram leve recuperação no Brasil.
No Rio Grande do Sul, as principais praças registraram valores em torno de R$ 57,00 por saca, enquanto nas demais regiões do país as cotações oscilaram entre R$ 50,00 e R$ 68,00 por saca.
De acordo com a Ceema, o milho ainda apresenta preços considerados acessíveis ao consumidor interno, mas há preocupação com o comportamento do mercado nos próximos meses.
A expectativa é de uma safra menor, especialmente na segunda safra, em função da redução de área plantada e de condições climáticas adversas, o que pode pressionar os preços no segundo semestre. A consultoria Brandalize Consulting também aponta que a demanda externa deve contribuir para esse movimento de alta.
No avanço da comercialização, cerca de 18% da safrinha 2025/26 já havia sido negociada, considerando uma produção estimada em 100,6 milhões de toneladas.
O ritmo varia entre os estados, com destaque para Mato Grosso, que alcançou 24,4% da produção esperada comercializada, enquanto outras regiões apresentam percentuais menores. No Matopiba, a comercialização atingia 15,8% da produção prevista. O plantio da segunda safra está praticamente concluído no país.
Fonte: Agrolink
Cenário é de incerteza para o Plano Safra 2026/ 2027
O secretário de Políticas Agrícolas do Mapa (Ministério de Agricultura e Pecuária), Guilherme Campos, afirmou que “está cedo” para falar sobre o volume de recursos e as taxas de juros para o Plano Safra 2026/2027, mas que o momento para o setor “não é bom”.
A menos de três meses do lançamento do próximo pacote de financiamento para o setor, incertezas no cenário internacional, impulsionadas pelo conflito no Oriente Médio, e questões internas, como os juros altos e a inadimplência no agro, preocupam o governo.
Apesar do valor recorde destinado ao Plano Safra 2025/26, com R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial, a procura por esses recursos foi baixa.
Segundo o Relatório de Acompanhamento do Crédito Rural realizado pelo Departamento Técnico e Econômico da Faesp (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo), apenas 55,3% desse valor, cerca de R$ 224,6 bilhões, foi desembolsado entre julho de 2025 e fevereiro de 2026. Na comparação com o mesmo intervalo do ciclo anterior, houve queda de 13,7%.
Um dos principais fatores para a baixa procura pelo financiamento são as altas taxas de juros. Mesmo com a redução de 0,25% na Taxa Selic, o cenário no campo segue desafiador.
Fonte: CNN
