Farm News 17/8 a 23/8
Cana-de-açúcar: Brasil deve produzir 705,2 milhões de toneladas na safra 2026/27
A produção brasileira de cana-de-açúcar na safra 2026/27 está estimada em 705,2 milhões de toneladas. O volume, se confirmado, representa um crescimento de 4,7% em relação ao ciclo 2025/26, conforme indica o 2º Levantamento da cultura para a atual temporada.
De acordo com o boletim, divulgado dia 20/8 pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), o resultado decorre de uma elevação de 1,1% na área destinada para a colheita da cana, atualmente previsto em 9,1 milhões de hectares, e de uma melhora de 3,6% na produtividade média nacional, projetada em 77.905 quilos por hectare, diante das condições climáticas registradas que vêm beneficiando as lavouras desde o início do ciclo.
O Sudeste deve registrar uma produção de 451,4 milhões de toneladas. A principal região produtora de cana-de-açúcar no país apresenta um leve incremento de 0,4% na área destinada à colheita do produto, estimada em 5,6 milhões de hectares, e produtividade média de 80.872 kg/ha, 4,6% acima do que foi registrado na safra passada diante das condições climáticas melhores do que as observadas na última temporada. Apenas os produtores paulistas serão responsáveis por uma colheita de 362,8 milhões de toneladas.
Para a segunda maior região produtora de cana no país, o Centro-Oeste, a Conab espera para a safra 2026/27 tanto um incremento na área, com previsão de 2 milhões de hectares, como na produtividade média, podendo chegar a 78.755 quilos por hectare.
Fonte: Conab
MT registra novo recorde no esmagamento de soja
O mercado de grãos iniciou o segundo semestre de 2026 com movimentos distintos em Mato Grosso. Enquanto o esmagamento de soja atingiu novo recorde mensal em julho, o Estado ampliou sua participação nas exportações brasileiras de milho, sustentado pela maior disponibilidade do cereal. No mercado internacional, as revisões do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para as safras 2026/27 deram suporte às cotações das duas commodities.
Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o processamento de soja em Mato Grosso somou 1,24 milhão de toneladas em julho, alta de 0,10% em relação a junho e de 5,13% ante julho de 2025. O volume também ficou 17,61% acima da média dos últimos cinco anos.
O resultado representa mais um recorde mensal de esmagamento registrado pelo Estado em 2026. Para o Imea, o desempenho reforça o ritmo elevado de processamento ao longo do ano e está associado à maior utilização da capacidade instalada das indústrias.
A maior atividade de esmagamento também se refletiu nas exportações de derivados. Em julho, Mato Grosso embarcou 819,80 mil toneladas de farelo e óleo de soja, aumento de 16,93% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, os envios chegaram a 5,41 milhões de toneladas, avanço de 10,17% na comparação anual.
Fonte: Revista Cultivar
Brasil pode exportar 120 mil toneladas de carne bovina extra cota dos EUA
O Brasil pode exportar até 120 mil toneladas da nova janela de importação de carne bovina aberta pelos Estados Unidos, caso consiga capturar entre 30% e 40% das 300 mil toneladas previstas para entrar no país em 90 dias, conforme o estudo da Safras & Mercado.
A medida foi anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dia 21/8, e permite que até 300 mil toneladas de carne bovina destinada à produção de carne moída entrem nos Estados Unidos durante 90 dias sem incidência da tarifa de fora da cota.
O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) também destaca que o país os enfrenta uma oferta doméstica restrita, com o rebanho bovino no menor nível dos últimos 75 anos, e isso tem aumentado a necessidade de recorrer ao mercado externo.
O objetivo do anúncio do Trump é aumentar rapidamente a oferta no mercado americano e reduzir os preços pagos pelos consumidores. Em abril de 2026, o preço médio da carne bovina fresca no varejo americano chegou a US$ 9,64 por libra, o equivalente a cerca de US$ 21,25 por quilo. Isso representa uma alta de aproximadamente 13% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Fonte: CNN
BSCA cria concurso internacional para café especial da espécie canéfora
A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) acaba de lançar uma novidade que promete ser um divisor de águas para o mercado global dos cafés da espécie Coffeea Canephora, que incluem as variedades conilon e robusta.
Trata-se do concurso “The Best of Canephora Brazil 2026”, realizado pela entidade e pela Alliance for Coffee Excellence (ACE), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), como ação do projeto “Brazil. The Coffee Nation”, para selecionar os melhores cafés especiais dessa espécie no Brasil e comercializar os vencedores em leilão internacional.
O concurso seguirá os mesmos moldes do consagrado Cup of Excellence, voltado ao café arábica. Os produtores brasileiros de café canéfora, que devem ser integrantes do “Brazil.
The Coffee Nation”, podem inscrever suas amostras da safra 2026 até o dia 3 de setembro nas categorias “Processo Clássico”, voltada aos frutos cultivados pelas vias seca (colhidos e secos com casca) ou úmida (cerejas descascados, despolpados ou desmucilador) e “Processo Experimental”, que inclui os canéforas que passaram por processo de fermentação induzida, desde que não incluam a adição de substâncias ou alimentos que não sejam café.
Esses lotes passarão pela primeira avaliação na Fase Nacional, entre 7 e 11 de setembro, na sede da BSCA, em Varginha (MG), quando as análises sensoriais serão realizadas por renomados juízes do Brasil quanto a tipo, cor, aspecto, umidade, atividade de água, defeitos e qualidade da bebida com base em um protocolo internacional específico para os canéforas.
Fonte: BCSA
Prorrogação da isenção da Lei Jones mantém flexibilidade logística para fertilizantes nos Estados Unidos
A isenção da Lei Jones foi prorrogada por mais 90 dias pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, atendendo a uma solicitação do Departamento de Guerra. A medida entrou em vigor em 17 de agosto de 2026, e amplia a validade da dispensa originalmente concedida em março deste ano.
O Jones Act exige que o transporte marítimo entre portos dos Estados Unidos seja realizado por embarcações americanas.
Considerando o contexto atual de riscos logísticos globais elevados e alta nos preços dos fertilizantes, a medida reduz riscos de atrasos e ajuda a garantir o abastecimento do setor agrícola dos EUA. A extensão da autorização amplia as opções de transporte quando não há embarcações americanas disponíveis, contribuindo para evitar maiores gargalos logísticos e custos adicionais.
No entanto, a suspensão anterior do Jones Act gerou críticas ao governo Donald Trump. O argumento é que a entrada de navios estrangeiros prejudica a indústria nacional produtiva e logística.
Sobre isso, o governo implementou um novo processo de autorização. As empresas deverão comprovar previamente a indisponibilidade de navios qualificados nos EUA antes de obter permissão para utilizar embarcações estrangeiras.
Fonte: Globalfert
Chineses começam a importar sorgo brasileiro em grande escala
A multinacional do agronegócio COFCO International realiza o primeiro embarque em larga escala de sorgo brasileiro com destino à China, em uma operação que movimenta 69 mil toneladas do grão. O carregamento parte do terminal agrícola Terminal Export COFCO (TEC), situado no cais STS-11 do Porto de Santos, no litoral de São Paulo, a bordo do navio graneleiro Guoyuan 26, com destino ao Porto de Nansha, em Guangzhou.
No país asiático, a distribuição da carga fica sob a responsabilidade da COFCO Trading. A iniciativa inaugura uma rota comercial para o grão brasileiro, gerando demanda adicional para a safra do país e oferecendo aos produtores rurais novas alternativas para elevar os ganhos com a produção agrícola.
A viagem do navio graneleiro ocorre após a entrada em vigor do protocolo fitossanitário firmado entre os governos de Brasil e China, assinado em novembro de 2024. A liberação comercial efetiva para os embarques do cereal foi autorizada a partir de 2025.
O protocolo fitossanitário — conjunto de exigências e normas técnicas que certifica que os vegetais exportados estão livres de pragas e doenças — estabelece procedimentos para assegurar a conformidade biológica das cargas a cada lote enviado ao mercado chinês.
Fonte: Band
Brasil colhe a maior safra da história mas fatura R$ 66 bilhões a menos
Safra recorde é sinônimo de ano bom para o produtor. É o que a intuição manda pensar, e é exatamente o que os números de agosto desmentem.
Na mesma quinzena, dois órgãos federais publicaram dados que apontam para lados opostos. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) fechou o 11º Levantamento da Safra de Grãos com produção estimada em 360,8 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26, alta de 2,4% sobre a temporada anterior, o equivalente a 8,5 milhões de toneladas a mais.
A área cultivada chegou a 83,5 milhões de hectares, expansão de 2,1%, e a produtividade média ficou em 4.322 quilos por hectare, próxima à do ano passado.
Poucos dias depois, a Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reduziu a projeção do Valor Bruto da Produção agropecuária de 2026 para R$ 1,398 trilhão. No boletim anterior, a estimativa era de R$ 1,404 trilhão. O ministério também revisou a base de 2025 para baixo, de R$ 1,477 trilhão para R$ 1,464 trilhão.
Vamos comparar as duas pontas. Entre 2025 e 2026, o faturamento bruto dentro da porteira encolhe R$ 66 bilhões, queda de 4,5%. No mesmo intervalo, o país colhe 8,5 milhões de toneladas a mais de grãos.
Fonte: Agrolink
