Farm News 27/4 a 3/5
PIB-Agro/CEPEA: PIB do agronegócio cresce expressivos 12% em 2025
O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro, calculado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), apresentou excelente desempenho em 2025 – o crescimento sobre o ano anterior foi de 12,20%.
Segundo o Cepea/CNA, o PIB do agronegócio alcançou R$ 3,20 trilhões, sendo aproximadamente R$ 2,06 trilhões no ramo agrícola e R$ 1,14 trilhão no ramo pecuário, a preços do quarto trimestre. Com esse resultado, a participação do agronegócio na economia brasileira foi de 25,13% em 2025, acima dos 22,9% registrados em 2024.
Pesquisadores do Cepea/CNA indicam que o forte avanço do setor ao longo de 2025 refletiu a continuidade do movimento de expansão iniciado no segundo semestre de 2024 e que foi sustentado sobretudo pelo crescimento da produção agropecuária nacional, que também impulsionou os agrosserviços.
Com isso, o volume agregado do agronegócio (PIB-volume) aumentou 6,76%. Apesar dos excelentes resultados produtivos e do consequente aumento da oferta, também houve elevação dos preços reais, o que reforçou o crescimento do PIB do setor. Pesquisadores do Cepea destacam que o resultado anual permaneceu positivo, embora o ritmo de expansão tenha perdido força ao longo dos trimestres de 2025, especialmente diante de quedas sucessivas nos preços.
Fonte: Cepea
Como o acordo Mercosul-UE impacta diferentes segmentos do agronegócio
O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, que entrou em vigor de forma provisória na sexta-feira (1º/5), criará um mercado estimado em cerca de 700 milhões de consumidores. Os PIBs de todos os países envolvidos no tratado somam US$ 22 trilhões.
A expectativa do agronegócio brasileiro é positiva, diante da redução gradual de tarifas para a maior parte dos produtos comercializados entre os dois blocos. Mas também há pontos de atenção, que envolvem cadeias consideradas sensíveis à importação de produtos europeus, que agora passam a chegar ao Brasil com preços mais baixos.
“Os impactos para o agro brasileiro são enormes. De um lado, um leque de oportunidades para o aumento das exportações e, de outro, desafios decorrentes da maior exposição aos produtos europeus”, resume Sueme Mori, diretora de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
A União Europeia deverá eliminar tarifas para cerca de 93% dos produtos do Mercosul em até dez anos, enquanto o Mercosul fará o mesmo para aproximadamente 91% dos produtos europeus em um prazo que pode chegar a 15 anos. Cerca de 54% das exportações do bloco sul-americano passam a ter tarifa zero imediatamente.
Entre os segmentos com maior potencial de crescimento, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) aponta couro, uvas e mel.
Fonte: Globo Rural
Mercosul e Canadá avançam em acordo com foco no agro e na segurança de fertilizantes
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) recebeu o negociador-chefe do acordo Mercosul–Canadá para avançar nas discussões comerciais, com foco no agronegócio e em insumos estratégicos. As negociações ganham tração em um momento considerado oportuno por ambas as partes, com novas rodadas previstas nas próximas semanas e sinalização de conclusão ainda dentro do ciclo atual de tratativas internacionais do Canadá.
Além do acesso a mercados para produtos como açúcar, carne bovina e frango, ainda sensíveis nas negociações, o encontro destacou o interesse brasileiro na cooperação com o Canadá no setor de fertilizantes. O tema é central diante da elevada dependência externa do Brasil, que importa cerca de 85% a 90% dos fertilizantes consumidos, o que expõe o país à volatilidade de preços e a riscos de oferta no mercado internacional.
Do ponto de vista estrutural, o Canadá ocupa posição estratégica na oferta global de nutrientes, sendo um dos maiores produtores mundiais de potássio, além de relevante em nitrogenados e tecnologias aplicadas ao setor. A aproximação pode abrir espaço tanto para maior fluxo comercial quanto para parcerias voltadas ao desenvolvimento da produção local, inovação e transferência tecnológica, elementos-chave para reduzir a vulnerabilidade brasileira no médio prazo.
Em síntese, o avanço das negociações reforça uma agenda estratégica para o agro brasileiro, combinando abertura de mercados com maior segurança no abastecimento de fertilizantes.
Fonte: Globalfert
Petrobras retoma produção de ureia no PR para reduzir dependência do agro
A Petrobras retomou na quinta-feira (30) a produção de ureia, fertilizante usado nas lavouras, na unidade da Araucária Nitrogenados S.A (Ansa), localizada no Paraná, após um período de quatro anos de inatividades. O movimento marca o retorno estratégico da estatal ao segmento de fertilizantes, setor considerado vital para a sustentabilidade e produtividade do agronegócio.
Hoje, os produtores rurais precisam importar fertilizantes, principalmente dos países que estão em conflito como o Irã, Israel, Ucrânia e Rússia. No último mês, os preços da ureia subiram 63% com a escalada dos conflitos no Oriente Médio.
A reativação da subsidiária paranaense demandou um investimento de R$ 870 milhões. Desde o anúncio da retomada há dois anos, a fábrica passou por um ciclo rigoroso de preparação, que incluiu manutenções, inspeções técnicas e a recomposição das equipes de trabalho. A unidade estava hibernada desde 2020 e volta a operar em um cenário de busca por menor dependência de insumos externos.
A ureia é um fertilizante nitrogenado sólido, essencial para fornecer nitrogênio às plantas, o que estimula o crescimento e aumenta o rendimento das safras. Com a unidade em operação regular, a Petrobras estima a manutenção de cerca de 700 postos de trabalho diretos na planta de Araucária.
Fonte: Band
RS Safra 2025/26: colheita da soja atinge 79% da área
A colheita da soja no Rio Grande do Sul alcançou 79% da área cultivada na safra 2025/26, segundo o Informativo Conjuntural divulgado nesta semana pela Emater/RS. O estado soma 6,62 milhões de hectares plantados, com produtividade média estimada em 2.871 kg/ha.
Ainda restam 21% das lavouras em campo, sendo 20% em maturação e 1% em enchimento de grãos. O avanço das operações, no entanto, tem sido pontualmente afetado pelas chuvas frequentes e pela elevada umidade, que reduzem as janelas de colheita.
De acordo com a entidade, as condições climáticas mantêm as plantas com alto teor de umidade, o que impacta o ritmo dos trabalhos e favorece perdas qualitativas, como aumento de impurezas e maior incidência de grãos avariados.
Nas áreas de semeadura tardia e de segunda safra, a disponibilidade hídrica tem contribuído para o enchimento de grãos. Por outro lado, há maior pressão de doenças, especialmente ferrugem-asiática e patógenos de final de ciclo, além da incidência de percevejos.
A produtividade apresenta forte variabilidade entre as regiões. Lavouras implantadas em períodos mais favoráveis e com melhor distribuição de chuvas registram bom desempenho, enquanto áreas afetadas por estiagem, limitações de fertilidade ou compactação do solo acumulam perdas que, em alguns casos, superam 50% do potencial produtivo.
Fonte: Revista Cultivar
Agrishow registra queda nas vendas pela primeira vez em 11 anos
A Agrishow, principal feira do agronegócio no país, apresentou redução nas vendas pela primeira vez nos últimos 11 anos, ao gerar R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios na edição deste ano, que terminou na sexta-feira 1/5.
Os números foram apresentados pela Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), uma das entidades realizadoras do evento, e mostram recuo de 25% em comparação aos R$ 15,2 bilhões gerados no ano passado. O valor foi atualizado pela inflação do período.
É apenas a segunda vez, em 31 anos de história, que a principal feira agro do país sofre revés nos negócios, considerando-se os valores nominais de cada edição. A anterior foi em 2015, quando viu as vendas diminuírem 30% em comparação com o ano anterior.
Com 800 marcas expostas, a Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação) já tinha sinalizações de que os negócios em Ribeirão Preto (SP) não alcançariam a marca do ano passado a partir das incertezas econômicas e políticas e do desempenho de outras feiras do agro.
A Tecnoshow, realizada pela cooperativa Comigo em Rio Verde (GO) no início de abril, viu os negócios recuarem 30% neste ano, após gerar R$ 10 bilhões em 2025. O cenário fez a Agrishow, pela primeira vez nos últimos anos, abrir a feira sem projetar faturamento.
Fonte: Folha de S.Paulo
Brasil avança no mercado de frango e reforça cuidados contra influenza aviária
O setor brasileiro de proteína animal viveu, em 2025, um ano marcado por desafios e avanços. Diante de um cenário internacional mais exigente, o Brasil manteve sua posição de destaque no mercado de carne de frango, ao mesmo tempo em que enfrentou, pela primeira vez, um caso de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em granjas comerciais. A resposta rápida e coordenada garantiu a retomada do status sanitário e a continuidade dos negócios, reforçando a confiança global na produção nacional.
Segundo Ricardo Santin, presidente da ABPA, o período exigiu mais do que capacidade produtiva. “O setor foi chamado a exercer sua responsabilidade institucional diante da segurança alimentar e da confiança construída com a sociedade e com os mercados”, afirmou. Esse movimento foi essencial para manter a credibilidade do Brasil em meio a um ambiente global instável.
Ao longo do ano, o país também ampliou sua presença internacional, abrindo e expandindo mercados para carne de aves, suínos e subprodutos. Esse avanço não veio apenas pelo volume, mas pela consistência de um modelo produtivo baseado em organização, controle e previsibilidade.
O comércio global de alimentos em 2025 foi marcado por incertezas, tensões e decisões unilaterais. Nesse cenário, o Brasil apostou em ações claras e alinhamento com normas internacionais. De acordo com Santin, essa postura foi decisiva para manter e recuperar fluxos comerciais em diferentes cadeias.
Fonte: Notícias Agrícolas
