Farm News  13/4 a 19/4

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17 de abril de 2026 0 Por admin

Processamento de soja deve atingir recorde de 62,2 milhões de toneladas

O avanço no esmagamento da oleaginosa reflete a combinação de uma safra volumosa e o aquecimento da demanda por derivados no mercado interno e externo. De acordo com a Abiove, o setor demonstra resiliência ao converter a matéria-prima em produtos de maior valor agregado, o que sustenta o suprimento alimentar e a matriz energética do país.

A revisão positiva dos dados também abrange os subprodutos da soja. A produção de farelo de soja foi ajustada para 47,9 milhões de toneladas, um crescimento projetado de 6,8% na comparação anual. Para o óleo de soja, a expectativa atual é de 12,5 milhões de toneladas, volume 4,8% superior ao registrado no ano passado.

Os indicadores de desempenho do primeiro bimestre de 2026 reforçam o otimismo da indústria. Apenas em fevereiro, foram processadas 3,546 milhões de toneladas, um salto de 8,5% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado dos dois primeiros meses do ano, o incremento é de 6,4%.

Embora o Brasil esteja produzindo e exportando mais em volume, o retorno financeiro das vendas externas deve enfrentar desafios. A Abiove projeta que a receita total com as exportações do complexo soja recue 3,2% em 2026, somando aproximadamente US$ 51,18 bilhões.

Fonte: Band

Setor de cafés especiais do Brasil espera receber US$ 17,5 mi após feira na Austrália

A participação de empresas brasileiras do setor de cafés especiais na Melbourne International Coffee Expo – MICE 2026, na Austrália, pode render US$ 17,520 milhões em negócios. Por meio do projeto “Brazil. The Coffee Nation”, realizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), oito empresários do país realizaram 280 contatos comerciais no evento, fecharam US$ 1,170 milhão presencialmente e prognosticam mais US$ 16,350 milhões nos próximos 12 meses.

Segundo o diretor executivo da BSCA, Vinicius Estrela, a MICE, considerada a principal feira de cafés especiais da Oceania, é uma importante plataforma de conexão comercial na região, reunindo produtores de diversas origens globais com importantes compradores de Austrália, Nova Zelândia e países do Sul da Ásia, como Indonésia e Filipinas, o que contribui para ampliar as oportunidades de negócios e fortalecer o posicionamento dos cafés especiais brasileiros nesse mercado.

“A presença dos empresários do ‘Brazil. The Coffee Nation’ na MICE 2026 contribuiu para a aproximação com importadores e parceiros locais, além de abrir novas frentes de atuação, como o desenvolvimento de rodadas de negócios integradas entre Austrália e Nova Zelândia. O interesse de compradores internacionais em participar de missões ao Brasil e a valorização de cafés de maior pontuação evidenciam o potencial de expansão e diversificação da oferta nacional naquela região”, explica.

Outro destaque do mercado australiano na comunidade mundial dos cafés especiais é a forte presença em competições internacionais, com baristas do país sendo reconhecidos por excelência técnica e consistência, o que os coloca, com frequência, entre os melhores nos campeonatos internacionais do setor.

Fonte: BSCA

Resoluções do CMN sobre uso de satélite para liberar crédito rural são contestadas no STF

A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) entrou com uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) pedindo a suspensão das Resoluções nº 5.268/2025 e nº 5.193/24, do CMN (Conselho Monetário Nacional).

De acordo com as resoluções, instituições financeiras passaram a usar, desde 1º de abril, dados do Prodes (Programa de Monitoramento do Desmatamento por Satélite) como etapa para concessão de crédito em propriedades rurais com área superior a quatro módulos fiscais, em todo o território nacional.

Na prática, contudo, o sistema não diferencia automaticamente situações de desmatamento legal, autorizadas pelos órgãos ambientais competentes, de casos de desmatamento ilegal, além de sobreposições de propriedades e polígonos de desmatamento.

“Todos os normativos, sob um pretexto equivocado de proteção ambiental, expurgam dos produtores a presunção de inocência, o direito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, culminando na desconsideração do direito de propriedade”, diz a CNA na ação.

A CNA alega ainda que as normas imputam uma penalidade antes do produtor ter a oportunidade de apresentar uma justificativa e fazer sua defesa: “a Resolução CMN 5268/2025 veda a concessão de crédito como uma medida presumida e antecipatória de culpa, permitindo que que o produtor rural demonstre sua regularidade somente após penalizado”.

Fonte: CNA

Petrobras aprova retomada da UFN-III e reforça estratégia no mercado de fertilizantes

A Petrobras aprovou a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS), após reavaliação que confirmou a viabilidade técnica e econômica do projeto. A decisão está alinhada ao Plano de Negócios 2026–2030 e marca o avanço da estatal na retomada de investimentos no segmento de fertilizantes.

O investimento estimado para a conclusão da unidade é de aproximadamente US$ 1 bilhão, com início das operações comerciais previsto para 2029. A retomada das obras deve ocorrer ainda no primeiro semestre, com expectativa de geração de cerca de 8 mil empregos durante a fase de construção.

Com capacidade projetada de cerca de 3.600 toneladas por dia de ureia e 2.200 toneladas diárias de amônia, a UFN-III terá produção direcionada principalmente às regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste. A localização estratégica próxima aos principais polos consumidores reforça a competitividade da unidade e sua relevância para o abastecimento nacional.

A iniciativa integra a estratégia da companhia de reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados, ampliando a produção interna em um contexto de crescente demanda. Segundo a estatal, o projeto apresenta indicadores econômicos positivos e deve contribuir para a segurança do abastecimento, além de impulsionar o desenvolvimento regional e o agronegócio.

Fonte: Globalfert

RS Safra 2025/26: chuvas atrasam colheita da soja

A colheita da soja no Rio Grande do Sul avançou de forma irregular e atingiu 50% da área cultivada, segundo a Emater/RS. As operações ficaram concentradas em curtas janelas de tempo seco, enquanto a recorrência de chuvas manteve elevada a umidade do solo e das plantas, dificultando a entrada de máquinas e interrompendo os trabalhos no campo.

Ainda predominam lavouras em maturação (36%), enquanto 14% seguem em enchimento de grãos e floração, refletindo a diversidade de épocas de plantio. Em áreas mais representativas, há registros de perda gradual de qualidade, com presença de grãos verdes, retenção foliar e aumento de impurezas, associados à umidade no momento da colheita.

A produtividade apresenta grande variabilidade entre regiões e até dentro de um mesmo município, em função da irregularidade das chuvas ao longo do ciclo. Em áreas com melhor distribuição hídrica e manejo mais tecnificado, os rendimentos são considerados adequados. Já nas áreas mais afetadas, as perdas são expressivas, com registros de produtividade abaixo do custo de produção. A estimativa média estadual é de 2.871 kg/ha em uma área de 6,62 milhões de hectares.

No milho, a colheita chegou a 86% da área, com avanço condicionado pelas chuvas e pela priorização de culturas mais sensíveis. Apesar da variabilidade, predominam grãos de boa qualidade nas áreas já colhidas, embora haja perdas pontuais devido ao atraso e à umidade elevada. A produtividade média é estimada em 7.424 kg/ha, em 803 mil hectares.

Para o feijão, a colheita da primeira safra está concluída, mas com impactos negativos nos Campos de Cima da Serra, onde condições climáticas adversas reduziram os rendimentos, com registros próximos de 1.200 kg/ha. 

Fonte: Revista Cultivar

Alta na importação de máquina agrícola e rodoviária preocupa setor

A safra brasileira de grãos entrou em um processo ascendente na última década, batendo recorde sobre recorde, e com poucos períodos de queda devido a clima. Essa velocidade de crescimento, no entanto, não ocorre nas vendas de máquinas agrícolas no país. Nos primeiros três meses deste ano, as vendas internas no varejo somaram apenas 9.800 unidades, 13,1% abaixo do patamar de janeiro a março de 2025.

A indústria vê essa desaceleração com preocupação, mas o que mais preocupa o setor no momento é a velocidade registrada pelas importações. Em 2025, entraram 11 mil máquinas agrícolas estrangeiras no Brasil, 17% a mais do que em 2024.

No início deste ano, a compra externa continua acelerada, e os números indicam uma evolução de 48,4% nas importações de janeiro a março ante igual período de 2025. China e Índia são as principais fornecedoras. No primeiro trimestre deste ano, as importações de máquinas agrícolas oriundas da China aumentaram 192%. Durante todo o ano de 2025, em relação a 2024, já haviam subido 86%.

“Nossa preocupação é com o avanço dessas importações sem lastro na produção nacional, sem cadeias de fornecimento e sem lastro em pesquisa de desenvolvimento no país”, diz Igor Calvet, presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

Além dessa pressão do mercado externo nas importações de máquinas agrícolas e rodoviárias, que afetam a indústria, a política monetária brasileira, principalmente a de juros elevados, tem dificultado os investimentos dos produtores brasileiros e de empresas que compram máquinas rodoviárias.

Fonte: Folha de S.Paulo

Diesel sobe e deve impactar em R$ 612,2 milhões nos custos operacionais do RS

A escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio já impacta o agronegócio do Rio Grande do Sul, segundo estudo técnico da Assessoria Econômica da Farsul. Em menos de dois meses, o barril de petróleo Brent subiu de US$ 70,99 para próximo de US$ 100, refletindo no aumento do diesel S10, que avançou 21,1% entre o fim de fevereiro e o início de abril de 2026, atingindo R$ 7,23 por litro.

O movimento ocorre durante a colheita da safra de verão e o planejamento do plantio de inverno, com impacto estimado em R$ 612,2 milhões nos custos operacionais das principais culturas do estado.

De acordo com a entidade, o cenário representa uma mudança estrutural no mercado energético. O estudo aponta que a instabilidade envolvendo o Irã e as rotas no Estreito de Ormuz elevou custos logísticos e prêmios de risco. “O movimento reflete uma reprecificação estrutural do risco energético global”, informa a análise.

O impacto varia entre as culturas, com o arroz sendo o mais afetado. O aumento do diesel representa um acréscimo de R$ 185,72 por hectare, equivalente à perda de 2,95 sacos por hectare. “O valor atual do arroz ainda mal remunera o custo operacional. Uma perda de três sacos por hectare pode frustrar expectativas e comprometer o resultado da safra”, aponta o relatório.

Na soja, o impacto individual é menor, estimado em R$ 48,74 por hectare ou 0,41 saco por hectare, mas o efeito agregado é maior devido à extensão da área cultivada, com prejuízo de R$ 331,2 milhões. Segundo a análise, em um cenário de margens reduzidas e endividamento elevado, pequenas variações podem comprometer o resultado financeiro dos produtores.

Fonte: Agrolink