Farm News 23/3 a 29/3
Safra de soja cresce, mas Sul acende alerta
A safra brasileira de soja 2025/26 avança com perspectiva de crescimento em área, produção e rendimento médio, embora haja contrastes regionais relevantes no desempenho das lavouras. Dados do Rally da Safra, da Agroconsult, indicam aumento da área plantada para 49,1 milhões de hectares, alta de 1,9%, e produção estimada em 184,7 milhões de toneladas, avanço de 6,7%.
A produtividade média nacional é projetada em 62,7 sacas por hectare, crescimento de 4,6% frente ao ciclo anterior. O mapa por estados mostra desempenho acima da média em importantes regiões do Centro-Oeste e Sudeste, com destaque para índices como 66,0, 66,2, 68,0 e 70,3 sacas por hectare. Em áreas do Norte e Nordeste, os números variam entre 59,5 e 65,0 sacas, enquanto parte do Matopiba e do Norte apresenta marcas próximas de 60,0 sacas.
No Sul, o cenário é mais desafiador. O Rio Grande do Sul aparece com produtividade de 48,7 sacas por hectare, abaixo do patamar de 55 sacas considerado limite inferior. O levantamento mensal indica recuo ao longo do ciclo, passando de 52 sacas em janeiro para 47 em fevereiro e chegando a 48,7 em março, consolidando perdas no estado.
Em Santa Catarina, o levantamento de campo revela grande variabilidade, com áreas registrando cerca de 63 e 62 sacas, enquanto outras apresentam níveis bem inferiores, como 35 e até 28 sacas por hectare. Já no leste do estado, há regiões com produtividade próxima de 43 sacas.
Fonte: Agrolink
Monitoramento aponta bom desenvolvimento das lavouras com contrastes climáticos no país
Segundo o Boletim de Monitoramento Agrícola (BMA), divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no período entre 01 e 21 de março, os maiores volumes de chuva foram registrados no Centro-Norte brasileiro. Se por um lado essas precipitações restringiram a colheita da soja em algumas áreas, por outro beneficiaram o desenvolvimento dos cultivos de primeira e segunda safra em campo.
Ainda de acordo com o Boletim, na maior parte da região Norte, as chuvas foram regulares e bem distribuídas. Já no Nordeste, os maiores volumes de chuvas ocorreram no início do mês em áreas do Maranhão e Piauí, além de parte da Bahia e Ceará, favorecendo o desenvolvimento das lavouras.
No período analisado, a Conab também verificou que na região Sul as chuvas foram irregulares e com baixos acumulados, resultando em um armazenamento hídrico do solo insuficiente para o desenvolvimento do milho segunda safra, em áreas do Paraná, e da soja nas lavouras de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.
Maior região produtora de grãos, o Centro-Oeste registrou chuvas frequentes em áreas de Mato Grosso e Goiás, prejudicando pontualmente a colheita da soja. Em Mato Grosso do Sul, os maiores volumes ocorreram na segunda semana do mês e foram essenciais para a recuperação do armazenamento hídrico no solo no sudoeste do estado, em áreas onde o milho segunda safra já se encontrava sob restrição hídrica.
Na região Sudeste, houve bons volumes de chuva na segunda semana do mês no estado de São Paulo e em parte de Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Na terceira semana, as chuvas espalharam-se sobre o estado mineiro e pelo Espírito Santo, acumulando bons volumes na região.
Fonte: Conab
Brasil e Turquia fecham acordo para rota alternativa de exportações do agronegócio
O Ministério da Agricultura e Pecuária anunciou dia 26/3 o fechamento de um acordo para tornar viável uma rota alternativa de transporte de produtos do agronegócio após o fechamento do Estreito de Ormuz, afetado pela guerra no Oriente Médio. O anúncio foi feito nesta quinta-feira, 26 de março.
A medida tem como objetivo evitar prejuízos ao fluxo de exportações, especialmente para mercados do Oriente Médio e da Ásia Central. Assim, o setor agropecuário brasileiro poderá manter as exportações ao Oriente Médio e Ásia Central via Turquia.
Com o acordo, a estrutura portuária turca passa a funcionar como ponto estratégico para o escoamento da produção brasileira. As cargas podem seguir viagem sem a necessidade de atravessar o Golfo Pérsico, uma das regiões mais afetadas pelo conflito.
A rota já era utilizada por exportadores, mas ganhou relevância com o agravamento da crise e o bloqueio de uma das principais vias marítimas do mundo. Com essa nova logística, as cargas podem atravessar o território turco ou permanecer armazenadas por um período limitado até o embarque final.
Cerca de 85% dos fertilizantes brasileiros são importados e entre 20% e 30% das exportações globais desses produtos passam pela região afetada pelo conflito. A interrupção da rota aumenta o risco de desabastecimento e pressiona os custos de produção, o que pode afetar a produtividade agrícola nos próximos ciclos.
Fonte: Grupo Chiru
Guerra eleva preço dos fertilizantes e pressiona o agro
Desde o início da guerra entre Estados Unidos e Israel, de um lado, e Irã, do outro, o preço dos principais fertilizantes utilizados pelo agro brasileiro disparou. No caso da ureia, o preço do insumo aumentou 50% nos últimos 30 dias, informa relatório da consultoria Itaú BBA.
A relação de troca entre os produtos agrícolas piorou, o que indica que o custo de produção está aumentando conforme a guerra no Oriente Médio se prolonga.
O preço da tonelada da ureia atingiu US$ 710. “O mercado de fertilizantes voltou a operar sob forte tensão, elevando os preços internacionais, com repasses quase imediatos ao mercado brasileiro”, informa o relatório da consultoria.
Outro fertilizante que teve alta significativa é o fosfato monoamônico (MAP), insumo que fornece principalmente fósforo e uma quantidade menor de nitrogênio às plantas. O preço desse fertilizante, explica o relatório do Itaú BBA, subiu 17% nos últimos 30 dias, indo a US$ 850 por tonelada.
O único dos fertilizantes que tem impacto significativo para o plantio das principais culturas do agronegócio brasileiro é o cloreto de potássio (KCl), cujo preço tem permanecido estável.
Um dos exemplos práticos de como os conflitos no Oriente Médio têm afetado o mercado de fertilizantes é que a relação de troca de MAP por soja está disparando. No início deste ano, cada tonelada do fertilizante equivalia a 27 sacas de soja. Agora, cada tonelada custa pelo menos 35 sacas de soja.
Fonte: Correio do Estado
Guerra no Oriente Médio afeta produção mundial de grãos
O atual conflito geopolítico no Oriente Médio tem um componente mais complicado para o médio prazo no abastecimento mundial de alimentos do que o da guerra entre Rússia e Ucrânia. Os produtos agrícolas não dispararam logo no início deste conflito, como ocorreu após a invasão da Ucrânia pela Rússia, mas a oferta de alimentos poderá ser afetada a médio prazo.
No início do conflito na Europa, ambos os envolvidos eram fornecedores de grãos, mas a oferta mundial era baixa, e os países, ainda afetados pela pandemia, buscavam recompor estoques de alimentos rapidamente, provocando alta repentina dos preços.
Neste ano, os estoques mundiais são melhores, mas atraso no fornecimento de fertilizantes, alta de preços desses insumos e elevação de custos na produção agrícola deverão levar os produtores do mundo a cuidar menos das lavouras, o que pode gerar perda de produtividade, se a guerra persistir.
Ao contrário de 2022, os agricultores estão com renda menor e, em alguns dos principais fornecedores mundiais, como nos Estados Unidos, este será o quarto ano de perda de renda. Além dos preços menores no mercado internacional, Donald Trump dá uma ajudazinha para a queda de renda e de participação menor dos americanos no mercado internacional.
Fonte: Folha de S.Paulo
EUA avaliam suspender tarifas sobre fertilizantes fosfatados marroquinos diante de pressão dos produtores de milho
O governo de Donald Trump estuda suspender temporariamente as tarifas sobre fertilizantes fosfatados importados do Marrocos e da Rússia, em meio à pressão de produtores de milho dos Estados Unidos. Mais de 50 associações agrícolas solicitaram formalmente a revisão da medida, argumentando que os custos elevados dos insumos têm impactado diretamente a rentabilidade no campo.
As tarifas foram implementadas em 2020 após uma petição da The Mosaic Company, que alegou concorrência desleal nas importações de fosfato. Desde então, a medida tem limitado o acesso ao produto marroquino, considerado uma das principais fontes globais de fosfato, reduzindo a oferta no mercado americano e pressionando os preços.
Estudos recentes indicam que a política elevou significativamente os custos para os produtores. Uma análise do Texas A&M Ag and Food Policy Center estima que as tarifas adicionaram cerca de US$ 6,9 bilhões em despesas com fertilizantes fosfatados entre 2021 e 2025, além de contribuírem para um aumento de aproximadamente 28,6% nos preços do DAP durante o período.
Diante da revisão obrigatória da medida, prevista para iniciar em abril, produtores defendem a remoção das tarifas como forma de ampliar a oferta, estimular a concorrência e reduzir custos. Enquanto isso, empresas do setor apresentam visões divergentes, refletindo o debate entre a proteção da indústria doméstica e a necessidade de garantir insumos mais acessíveis para o agronegócio.
Fonte: Globalfert
Modelagem do carbono avança na cafeicultura
A modelagem do carbono vem ganhando destaque como uma ferramenta estratégica para orientar práticas agrícolas mais sustentáveis na produção de café. O tema foi apresentado pelo professor Teogenes Senna de Oliveira (na foto abaixo), da Universidade Federal de Viçosa (UFV), durante o Encontro Exclusivo dos Sócios do Clube illy do Café, realizado em 24 de março, na Fazenda Rio Brilhante Café, em Coromandel, no Cerrado Mineiro.
A metodologia permite compreender de forma integrada como o carbono entra, circula e se acumula nos sistemas produtivos, especialmente no solo e na biomassa das plantas. Para isso, são utilizados dados de clima, solo, manejo e produtividade, combinados com medições de campo e modelos computacionais, como o DayCent, que simula as interações entre esses fatores ao longo do tempo.
“A modelagem do carbono é uma ferramenta importante para antecipar cenários e apoiar decisões de manejo. Ela ajuda a identificar práticas que fortalecem o solo e aumentam a capacidade dos sistemas agrícolas de enfrentar as mudanças climáticas”, destaca o professor Teogenes Senna de Oliveira.
Segundo o pesquisador, a modelagem permite comparar diferentes cenários de manejo agrícola e identificar práticas capazes de aumentar os estoques de carbono no solo. Esse processo contribui para melhorar a estrutura do solo, ampliar a retenção de água e estimular a atividade biológica, fatores fundamentais para a sustentabilidade e a resiliência da cafeicultura.
Fonte: Revista Cultivar
