Farm News 15/12 a 21/12
Após protesto de agricultores, União Europeia adia assinatura de acordo com Mercosul
Numa semana marcada por protestos de agricultores, lideranças da União Europeia (UE) não conseguiram desbloquear a assinatura imediata do acordo comercial com o Mercosul. A presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen disse aos demais líderes de países do bloco que tomou a decisão de adiar o cronograma até janeiro, segundo o site Politico.
O acordo voltou a sofrer um revés político às vésperas da data na qual seria assinado, com a mudança de posição da Itália – fiel da balança, Roma somou-se à objeção da França e colocou o tratado em risco quando passou a postular pelo adiamento da análise no Conselho Europeu.
O acordo de livre comércio entre os blocos, negociado há 26 anos, era um dos assuntos pendentes da pauta da reunião do Conselho Europeu, em Bruxelas, na Bélgica. A cidade-sede da UE foi palco de protestos de agricultores contrários ao tratado. Eles bloquearam vias, atiraram esterco de vaca, incendiaram uma praça e entraram em confronto com policiais.
Diplomatas europeus ouvidos pelo Estadão relataram que ainda existia uma janela para tentar a votação do acordo, mas a incerteza dominava o cenário. Eles se dividiam entre um resquício de esperança e jogar a toalha. As tratativas de bastidores avançaram ao longo do dia, mas não deram margem de segurança para aprovação.
Fonte: Estadão
EUA fazem Brasil vender 109 milhões de toneladas de soja
Brasil e China chegam ao final do ano com números expressivos na venda e na compra total de soja. Os chineses, conforme dados oficiais da alfândega, importaram 104 milhões de toneladas de janeiro a novembro, após a compra de 8,1 milhões no mês passado.
Basta uma importação de 6 milhões em dezembro para o país asiático chegar ao recorde de 110 milhões neste ano. Algumas avaliações são de que as compras de dezembro possam atingir de 7 milhões a 8 milhões de toneladas, elevando o volume anual para até 112 milhões.
O Brasil, principal produtor e exportador mundial da oleaginosa, deve terminar o ano com exportações acumuladas de 109 milhões de toneladas, segundo dados da Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais). Os números da associação têm como base os embarques programados para os navios que saem do Brasil com soja.
Os recordes dos dois países têm muito a ver com a política tarifária dos Estados Unidos. A China, prevendo restrições de Donald Trump já no início de seu mandato, antecipou compras dos Estados Unidos no final de 2024, segundo Daniele Siqueira, analista da AgRural.
Fonte: Folha de S.Paulo
PIB da cadeia de soja e biodiesel deve crescer 11% em 2025
A cadeia da soja e biodiesel deve fechar 2025 com resultados favoráveis. Estudo da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), feito em parceira com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), estimou crescimento de 11,66% do setor em 2025.
A estimativa atual supera em 0,37 ponto percentual a do relatório anterior, refletindo o avanço da agroindústria e seu impacto positivo sobre os agrosserviços da cadeia.
“De modo geral, a colheita de uma safra 2024/25 de soja recorde no Brasil e a intensificação do processamento do grão por parte da indústria vêm sustentando a previsão de forte alta do PIB da cadeia da soja e do biodiesel em 2025. Com isso, o PIB da cadeia produtiva representaria 23% do PIB do agronegócio neste ano e 5,7% do PIB nacional”, destacou o Cepea, em nota.
Apesar do desempenho positivo para o PIB, com novas quedas de preços no terceiro trimestre, a variação dos preços relativos ficou negativa para a cadeia produtiva.
Entre janeiro a setembro de 2024 e de 2025, os preços da cadeia produtiva recuaram 7,27% – uma piora frente à estimativa anterior, que apontava estabilidade. De acordo com o Cepea/Abiove, o recuo no terceiro trimestre decorreu das fortes elevações de preços observadas no mesmo período de 2024.
Fonte: Globo Rural
STF mantém regras de isenção fiscal para agrotóxicos
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu na quinta-feira (18) manter a validade da concessão de benefícios fiscais para agrotóxicos.
A Corte julgou duas ações que foram protocoladas pelo PV e PSOL. Os partidos questionaram a validade do Convênio n° 100 de 1997, do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), e da Emenda Constitucional (EC) 132 de 2023.
As normas permitiram a aplicação de um regime diferenciado de tributação para os agrotóxicos e a redução de 60% nas alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os produtos.
Por 8 votos a 2, a Corte julgou as ações improcedentes e entendeu que a isenção de impostos na comercialização de agrotóxicos não pode ser considerada inconstitucional.
Os votos pela manutenção da isenção foram proferidos pelos ministros Cristiano Zanin, Luiz Fux, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Nunes Marques, André Mendonça e Flávio Dino.
Edson Fachin e Cármen Lúcia se manifestaram pela inconstitucionalidade dos benefícios fiscais.
Com isso, deve ser mantido o desconto de 60% de IBS/CBS e isenção total do Imposto Seletivo no âmbito da reforma tributária sobre o consumo, conforme está previsto na Lei Complementar 214/2025.
Fonte: Agência Brasil
Fafen retoma produção de fertilizantes na Bahia em janeiro de 2026
A Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), em Camaçari, deve retomar as operações em janeiro de 2026. A unidade da Petrobras passa pelos ajustes finais de manutenção e já iniciou o comissionamento. As equipes alinham utilidades como nitrogênio, ar comprimido e água de refrigeração para testar sistemas e garantir segurança na reativação das plantas.
Petrobras e Bahiagás firmaram contrato para movimentar 1,2 milhão de m³/dia de gás natural por duto, assegurando o insumo essencial à produção. A fábrica produzirá amônia, ureia perolada e ARLA-32. A logística será apoiada pelos terminais marítimos no Porto de Aratu, em Candeias.
Segundo a Petrobras, a retomada fortalece o suprimento nacional de fertilizantes, expande seu portfólio e oferece destino rentável ao gás natural brasileiro.
Já Mosaic anunciou na semana passada a paralisação temporária da produção de superfosfato simples (SSP) em suas unidades de Fospar e Araxá, no Brasil. A decisão ocorre em resposta à forte elevação recente dos preços do enxofre, insumo essencial no processo produtivo de fosfatados.
Além da redução operacional, a companhia também suspendeu novas compras de enxofre, buscando mitigar o impacto do aumento de custos sobre suas operações. A Mosaic informou que essas medidas poderão ser reavaliadas após um período de 30 dias, conforme a evolução do mercado.
Fontes: Revista Cultivar e Globalfert
Verão mais chuvoso deve favorecer o agronegócio em 2025/26
O verão 2025/26, que começa em 21 de dezembro, será marcado pela influência do fenômeno La Niña, favorecendo a ocorrência de chuvas no Sudeste, Centro-Oeste, Matopiba (região formada pelo estado do Tocantins e partes dos estados do Maranhão, Piauí e Bahia) e em áreas da região Norte.
A análise da Nottus, empresa de inteligência de dados e consultoria meteorológica para negócios, indica que a estação terá condições positivas para o agronegócio, especialmente em relação à umidade do solo e ao desenvolvimento das culturas.
Segundo Desirée Brandt, sócia-executiva e meteorologista da Nottus, a nova estação não deve ser das mais quentes, o que contribui para a redução de estresses térmicos nas lavouras.
“Podemos ter momentos isolados de trégua na chuva, com temperatura mais alta, mas os modelos não indicam ondas prolongadas de calor. No geral, a tendência é de temperatura mais moderada ao longo da estação”, explica. A meteorologista destaca que o comportamento da chuva será o principal fator favorável para o campo.
Fonte: Revista Cultivar
Biodiversidade redefine desafios da agricultura
A biodiversidade é um elemento central para a produção agrícola, ao sustentar processos naturais que garantem a produtividade e a resiliência das lavouras. A interação entre plantas, animais, insetos, fungos e microrganismos forma ecossistemas complexos que fornecem serviços essenciais, como polinização, controle de pragas, armazenamento de água e regulação do clima, fundamentais para o funcionamento da agricultura.
Apesar de seu papel estratégico, a agricultura também é apontada como o principal fator de perda de biodiversidade no mundo. A conversão de áreas naturais em lavouras e pastagens, a extração intensiva de água doce para irrigação e a poluição provocada pelo uso de fertilizantes e pesticidas permitiram ganhos expressivos de produção, mas ampliaram a pressão sobre os ecossistemas. A degradação desses sistemas naturais compromete serviços essenciais ao próprio setor produtivo, elevando riscos à produtividade e à estabilidade das atividades no campo.
A importância do tema foi reforçada com o Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal, lançado em 2022, que estabelece metas para conter e reverter a perda de biodiversidade. O acordo prevê que os governos signatários desenvolvam e implementem políticas nacionais alinhadas a esses objetivos, o que tende a provocar mudanças relevantes na forma como a agricultura é conduzida.
Fonte: Agrolink
