Farm News 23/2 a 1/3
Instabilidade no Irã ameaça mercado de fertilizantes e de milho
Os recentes ataques dos Estados Unidos ao Irã elevaram as tensões no Oriente Médio e colocaram o agronegócio brasileiro em alerta. Embora ainda seja cedo para medir a real dimensão do conflito, os primeiros reflexos já são sentidos nos mercados internacionais, especialmente nos setores de petróleo, fertilizantes e comércio exterior.
De acordo com Adriano Turco, analista da Agroconsult, o cenário atual é instável e depende da extensão que o confronto poderá atingir. O primeiro impacto é a disparada do preço do petróleo devido ao risco geopolítico na região do Golfo Pérsico.
Com o barril mais caro, cresce a preocupação com o diesel no Brasil, combustível essencial para o transporte de grãos e operação de máquinas agrícolas. Caso a alta se prolongue, pode haver pressão por reajustes internos, elevando os custos logísticos e reduzindo a competitividade do setor.
Outro ponto crítico é o mercado de fertilizantes nitrogenados. O Irã é um relevante produtor de ureia, insumo estratégico para culturas como milho e trigo. A produção desse fertilizante depende do gás natural, cujo preço também sofre com instabilidades geopolíticas.
Mesmo que o Brasil não seja um grande comprador direto do Irã devido a sanções, o país é altamente dependente de importações. Assim, qualquer redução na oferta global ou aumento nos custos de energia pode elevar os preços internacionais e impactar o custo de produção no campo brasileiro.
Fonte: CNN
São Paulo domina exportações do agro e abre 2026 com superávit bilionário
O agronegócio de São Paulo iniciou 2026 com um superávit de US$ 1,31 bilhão na balança comercial, retomando a liderança nacional nas exportações do setor.
Com vendas externas de US$ 1,84 bilhão e importações de US$ 530 milhões em janeiro, o estado consolidou sua posição como motor da economia paulista, respondendo por 17,1% dos embarques nacionais do agro, à frente de Mato Grosso (16,7%) e Minas Gerais (11,5%).
Mesmo com área territorial menor, a liderança é sustentada pela alta produtividade, diversificação de culturas e maior valor agregado dos produtos.
O setor representou 40,9% das exportações totais do estado, mas apenas 8% das importações, ampliando seu impacto no saldo comercial. O complexo sucroalcooleiro liderou as vendas, com US$ 465,3 milhões (25,3% do total), impulsionado pelo açúcar (96,9%).
Na sequência, vieram produtos florestais (US$ 346,9 milhões), com destaque para celulose (75,3%), e carnes (US$ 305,8 milhões), dominadas pela bovina (82,8%). Sucos (US$ 163,9 milhões), quase todo de laranja, e café (US$ 132,5 milhões) também tiveram participação relevante.
Esses cinco grupos somaram 76,8% das exportações paulistas do agro no mês. O complexo soja, embora em décimo lugar (US$ 49,9 milhões), deve avançar com o início da colheita.
Fonte: Band
Recuperação de safra diminui pressão no preço do café neste ano
Após um período de oferta menor, queima de estoques e preços elevados, o que pesou no bolso dos consumidores e diminuiu a demanda por café, a produção do grão caminha para um ciclo mais normal neste ano, com perspectivas, inclusive, de safra recorde no Brasil, o maior produtor mundial.
Foram anos de choque de oferta e de preços. Os gargalos começaram com geada e quebra de produção no Brasil na safra de 2021, mas pandemia, juros elevados e problemas logísticos deram uma dimensão maior ao cenário.
Este ano vai ser marcado especialmente pela colheita brasileira de 2026/27, que vai de abril a agosto. A expectativa é de uma safra recorde, segundo Laleska Moda, analista da Hedgepoint. A Indonésia também segue o calendário brasileiro, mas a produção de conilon poderá ser menor. Outras regiões, como Vietnã, América Central e leste da África, estão terminando a safra 2025/26.
As avaliações de Laleska coincidem com as de Gil Barabach, da Safras & Mercado, e dos analistas do Cepea (Centro de Estudos Avançados de Economia Aplicada). Para Barabach, o mercado estará de olho no Brasil, e o cenário é bom, uma vez que as chuvas ocorrem no período de enchimento de grãos. Fica para trás 2025, um período de dificuldades na compra de café, e deve entrar um ano de melhora na oferta.
Fonte: Folha de S.Paulo
Governo Federal altera decreto que regulamenta a Lei de Fertilizantes
O Governo Federal publicou, no Diário Oficial da União (DOU) da última quarta-feira (25), o Decreto 12.858 que trata da alteração do Anexo do Decreto nº 4.954/2004, que regulamenta a Lei nº 6.894/80, que dispõe sobre a inspeção e fiscalização da produção e do comércio de fertilizantes, corretivos, inoculantes, ou biofertilizantes, remineralizadores e substratos para plantas destinados à agricultura.
A atualização tem como objetivo compatibilizar o regulamento com a Lei nº 14.515/22 (Lei do Autocontrole), além de promover adequações ao rito processual previstas no Decreto nº 12.502/2025.
A principal alteração refere-se à regulamentação das sanções administrativas aplicáveis no âmbito da fiscalização de insumos agrícolas conduzida pela Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (SDA/Mapa) como medidas cautelares, infrações e penalidades, conforme previsto na Lei nº 14.515/2022.
Entre as mudanças, destaca-se a inclusão da classificação de infração de natureza moderada, que se soma às já existentes naturezas leve, grave e gravíssima. As faixas de multas passam a seguir os valores estabelecidos no Anexo da Lei nº 14.515/2022, considerando a classificação do agente administrado de acordo com seu porte econômico.
Fonte: Globalfert
Conab anuncia R$ 73,6 milhões para comercialização de arroz
A Companhia Nacional de Abastecimento anunciou a liberação de R$ 73,6 milhões para apoiar a comercialização de arroz da safra 2025/26. A medida busca escoar cerca de 300 mil toneladas e sustentar a renda diante da queda nos preços. O anúncio ocorreu na Abertura da Colheita do Arroz, em Capão do Leão.
Do total, R$ 61,3 milhões seguirão para o Rio Grande do Sul, responsável pela maior parcela da produção nacional. O volume no estado deve alcançar 250 mil toneladas. Também entram na operação Santa Catarina, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão.
O presidente da Conab, Edegar Pretto, afirmou que a iniciativa atende demanda do setor e mantém produtores na atividade. Denis Dias Nunes, da Federarroz, citou urgência para o escoamento.
Os recursos sairão por meio do Pepro e do PEP, instrumentos da Política de Garantia de Preços Mínimos. Os mecanismos entram em ação quando o valor de mercado fica abaixo do mínimo fixado pela Conab. No Rio Grande do Sul, o produtor recebe em média R$ 53,27 por saca de 50 quilos. O mínimo no estado alcança R$ 63,74.
No Pepro, o produtor vende pelo preço de mercado e recebe prêmio complementar após comprovar o escoamento. No PEP, a empresa compra pelo valor mínimo e obtém incentivo para retirar o produto da origem ou destiná-lo ao beneficiamento.
Fonte: Revista Cultivar
Lei antidesmatamento da UE impõe risco de exclusão de produtores e pode afetar US$ 17,5 bilhões do agro
A Lei Antidesmatamento da União Europeia (EUDR, na sigla em inglês) está redesenhando o acesso do agronegócio brasileiro ao mercado europeu ao impor exigências de rastreabilidade, conformidade ambiental e comprovação de origem livre de desmatamento.
Segundo estudo da consultoria BIP, a nova regulação amplia custos operacionais, expõe fragilidades estruturais da cadeia produtiva nacional e pode afetar até 16% das exportações da agroindústria brasileira, o equivalente a US$ 17,5 bilhões por ano, além de aumentar o risco de exclusão de pequenos produtores das cadeias internacionais.
Em vigor desde 2023, o European Union Deforestation Regulation integra a estratégia europeia de neutralidade de emissões até 2050 e proíbe a comercialização, importação ou exportação de commodities associadas ao desmatamento ocorrido após 31 de dezembro de 2020.
O regulamento incide sobre sete produtos de risco florestal – gado, soja, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma – e estabelece a obrigatoriedade de processos rigorosos de due diligence, incluindo georreferenciamento das áreas produtivas, documentação fundiária e ambiental e monitoramento contínuo da cadeia.
O Brasil é classificado pela União Europeia como país de médio risco. O estudo destaca alavancas importantes implementadas no país, como o Código Florestal, o PPCDAm e sistemas de monitoramento por satélite como PRODES e DETER.
Fonte: Notícias Agrícolas
Safra de milho tem desempenho irregular
O Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (26) pela Emater/RS-Ascar aponta que a colheita do milho avançou de forma lenta no Rio Grande do Sul em razão das precipitações mais abrangentes registradas no período. Segundo o boletim, os trabalhos alcançaram aproximadamente 60% da área cultivada no Estado.
De acordo com o informativo, “nas áreas colhidas, a produtividade está próxima à projeção inicial, com menor impacto da insuficiência hídrica ao longo do ciclo”. As lavouras remanescentes estão distribuídas entre desenvolvimento vegetativo (5%), floração (4%), enchimento de grãos (12%) e maturação (19%).
O documento registra que houve redução da intensidade do estresse hídrico, o que contribuiu para mitigar perdas adicionais no potencial produtivo. No entanto, ressalta que, em diversas áreas, “as chuvas ocorreram de forma tardia, sem capacidade de reverter perdas já consolidadas” em função da restrição hídrica observada entre janeiro e a primeira quinzena de fevereiro.
A publicação destaca desempenho heterogêneo das lavouras nesta safra, condicionado à época de semeadura e à distribuição das chuvas. Conforme o relatório, as áreas implantadas precocemente apresentam produtividades definidas, com resultados satisfatórios em cultivos irrigados e em sequeiro com adequada distribuição hídrica.
Em contrapartida, nas áreas semeadas em período intermediário e tardio, há redução de rendimento e de qualidade dos grãos, principalmente em razão do déficit hídrico durante as fases de floração e enchimento.
Fonte: Agrolink
