Farm News 16/2 a 22/2
Suprema Corte barra tarifaço dos EUA
A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que o presidente Donald Trump não pode impor tarifas amplas de importação sem autorização do Congresso, ao julgar inconstitucional parte de um pacote tarifário adotado com base em poderes emergenciais.
Por 6 votos a 3, a Corte concluiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional não autoriza a criação unilateral de tarifas. A maioria entendeu que a Constituição reserva ao Congresso a competência para instituir impostos e tarifas alfandegárias.
O presidente da Corte, John Roberts, relator do caso, afirmou que seria necessária autorização clara do Legislativo para sustentar o chamado tarifaço. Ficaram vencidos Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh.
Nesse cenário, a decisão derruba principalmente as tarifas recíprocas de 10% ou mais, aplicadas desde abril de 2025 a quase todos os parceiros comerciais dos EUA. Permanecem em vigor as tarifas sobre aço e alumínio, adotadas com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, por motivo de segurança nacional.
De acordo com as informações, o processo começou em 2025, após ação movida por empresas afetadas e por 12 estados americanos, que questionaram o uso da lei para impor tarifas sem aval do Congresso. O governo recorreu até a instância máxima.
Fonte: Agrolink
Mercado da soja monitora demanda chinesa após retirada das tarifas dos EUA
Os contratos futuros da soja encerraram a semana passada com leves baixas na Bolsa de Chicago. O vencimento março recuou 0,31%, para US$ 11,3750 por bushel, enquanto o contrato maio teve queda 0,24%, encerrando a US$ 11,5325 por bushel.
De acordo com a Reuters Internacional, a China pode estar menos inclinada a efetivar uma nova grande compra de soja dos Estados Unidos, movimento que vinha sendo sinalizado há semanas pelo presidente Donald Trump, especialmente após a decisão da Suprema Corte que derrubou as tarifas impostas por presidente americano.
Na avaliação de Ronaldo Fernandes, da Royal Rural, o mercado entende que Pequim pode não estar mais obrigada a cumprir a aquisição adicional de 8 milhões de toneladas anunciada anteriormente.
O consultor destaca que a China já comprou cerca de 10 milhões de toneladas de soja norte-americana, além de aproximadamente 3 milhões com destinos não especificados, possivelmente também direcionados ao país asiático.
Com a retirada das tarifas, não haveria compromisso formal de elevar as compras para 20 milhões de toneladas, deixando o preço como fator determinante para novas negociações.
Fonte: CNN
Produção de sorgo cresce e cereal vai entrar na alimentação humana
O cultivo do sorgo cresce rapidamente no Brasil. Nesta safra 2025/26, a produção deverá superar em 219% a de cinco anos atrás. Resistência maior à seca, novas pragas no milho e o clima cada vez mais incerto fazem com que um número maior de produtores optem pelo cereal.
Um produto destinado basicamente à alimentação de porcos e aves ganha espaço também nos novos confinamentos bovinos e no aumento da demanda pelas usinas de etanol. Antes, o produtor colhia o cereal e tinha de correr atrás de compradores. Hoje, são as empresas que buscam os produtores, afirma Cícero Bezerra de Menezes, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo.
Os pesquisadores têm, porém, um objetivo maior para o sorgo no Brasil. Querem inseri-lo na alimentação humana e na de pets. Estes últimos já o utilizam, mas não há dados sobre a quantidade, e há espaço para crescimento. Menezes explica que, para a alimentação humana, é preciso trabalhar com um sorgo diferente, uma variedade com tanino. Existe o com tanino e o sem tanino. Atualmente, o sorgo produzido no Brasil é sem tanino.
O tanino do sorgo se liga às proteínas, formando complexos de baixa digestibilidade. Ou seja, se for dado um sorgo com tanino para um frango, ele engorda em torno de 20% a menos. Isso é ruim para a avicultura, mas o cereal com tanino para a composição da alimentação humana e de pets engorda menos.
Fonte: Folha de S.Paulo
Novo painel do Zarc moderniza consulta às janelas de plantio
O Painel de Indicação de Riscos do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) foi atualizado e passa a oferecer uma interface mais moderna, navegação mais intuitiva e maior velocidade de resposta, facilitando o acesso às informações técnicas utilizadas no planejamento das safras em todo o país.
A nova versão do painel foi desenvolvida com foco na experiência do usuário, tornando a consulta aos resultados do Zarc mais ágil e eficiente. O layout renovado, com organização visual mais clara, contribui para uma melhor compreensão dos dados e reduz o tempo necessário para localizar informações essenciais para o planejamento agrícola.
O painel é a principal ferramenta de consulta às indicações de risco publicadas nas portarias do Zarc. Atualmente, os normativos divulgados no Diário Oficial da União fazem referência direta ao sistema, no qual o usuário pode visualizar os municípios indicados ao plantio e as janelas de semeadura.
Para acessar o mapa e a tábua de riscos, o usuário deve preencher os seguintes campos: Safra, Cultura, Outros manejos, Clima, Grupo de cultivar, Tipo de solo e Unidade da Federação.
Após preencher os filtros, basta clicar em “Aplicar Filtros”. O sistema exibirá o mapa com os municípios indicados para o plantio. Para visualizar o risco em cada decêndio (períodos de 10 dias), o usuário deve selecionar a opção “Tábua de Risco”.
Fonte: Embrapa
Baixa no preço do café é reforçada por estimativa de safra recorde
A desvalorização do café ganhou força neste início de fevereiro, impulsionada por projeções que indicam uma colheita histórica no Brasil. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o movimento de queda nos preços, que já vinha sendo observado em janeiro devido ao clima favorável nas principais regiões produtoras, foi intensificado pelas novas estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
As projeções para a safra 2026/27 apontam para um novo recorde após cinco temporadas, devendo superar o maior volume já colhido no País, registrado no ciclo 2020/21. Especialistas do setor destacam que este cenário de abundância é fundamental para a recomposição dos estoques nacionais e globais.
De acordo com pesquisadores do Cepea, a safra recorde deve auxiliar na regulação do mercado, embora não se espere a geração de excedentes expressivos. Nos últimos anos, a relação entre a oferta e a demanda de café tem se mantido bastante ajustada, chegando a patamares negativos que comprometeram os estoques mundiais do produto.
A atual conjuntura de preços baixos tem provocado uma reação imediata entre os cafeicultores brasileiros. Diante das cotações desfavoráveis, muitos produtores optaram por se afastar do mercado, o que resultou em uma paralisia quase total das negociações no momento.
Fonte: Band
Indústria de bioinsumos amplia ações de controle de qualidade
A Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPII Bio) abriu inscrições para iniciativas que visam fortalecer a qualidade e a padronização no setor de bioinsumos, mercado que movimentou R$ 5,7 bilhões na última safra e projeta crescimento de 60% até 2030.
Até 20 de fevereiro, estão abertas as inscrições para a 3ª edição do Programa Interlaboratorial para Inoculantes Biológicos, em parceria com a IdeeLab. O programa atende às exigências do Ministério da Agricultura (MAPA) e busca aprimorar o controle de qualidade, comparando resultados analíticos para garantir maior eficiência e segurança dos produtos no campo.
Além disso, a entidade oferece capacitações presenciais com inscrições até o fim de fevereiro: o Treinamento em Controle de Qualidade para Inoculantes (2 a 6 de março, em Piracicaba/SP) e o Treinamento para Fungos (13 a 17 de abril, em Charqueada/SP), este em parceria com a ALS Laboratórios.
Segundo Larissa Bonotto, diretora da ANPII Bio, o setor amadurece rumo a uma fase mais técnica e regulada, onde a qualidade analítica e a formação contínua são estratégicas para a competitividade e sustentabilidade do mercado.
Fonte: Notícias Agrícolas
Vinhedo experimental testa 50 variedades europeias na Serra Gaúcha
A Cooperativa Vinícola Garibaldi conduz um vinhedo experimental com cerca de 50 variedades de uvas europeias na Serra Gaúcha. O projeto busca identificar cultivares mais adaptáveis às mudanças climáticas da região. A iniciativa ocorre em parceria com uma família de associados.
As mudas vieram de oito países: República Tcheca, Geórgia, Itália, Alemanha, Ucrânia, França, Portugal e Espanha. Cada fileira do parreiral reúne uma variedade diferente. O manejo exige atenção específica. Tratamentos e períodos variam conforme a época do ano.
Parte das variedades cresce em dois sistemas de condução, espaldeira e latada. A cooperativa avalia adaptabilidade e produtividade em cada formato.
Segundo o gerente da assistência técnica, Evandro Bosa, o cultivo ocorre em área mais afastada para preservar o sigilo e a integridade do processo. Algumas variedades envolvem pagamento de royalties. “É muito importante termos esse vinhedo experimental para validar as variedades e identificar quais são as mais resistentes ao nosso clima”, afirma.
Os primeiros testes foram apresentados a cerca de 20 cooperados em dezembro de 2023. O grupo visitou a propriedade no interior de Santa Tereza para conhecer os processos de validação. Bosa destacou o papel da família parceira na implantação e nos cuidados com as videiras.
Fonte: Revista Cultivar
