Farm News 25/11 a 01/12

Farm News 25/11 a 01/12

2 de dezembro de 2024 0 Por admin



PIB do agronegócio para 2024 é estimado em R$ 2,5 trilhões

O Departamento Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) divulgou o “Radar Macroeconômico” de novembro, com dados sobre atividade econômica, emprego, inflação, juros e balança comercial.

No agronegócio, o PIB para 2024 é estimado em R$ 2,5 trilhões, representando queda de 6,9% em relação a 2023, com destaque negativo para o ramo agrícola (-9,94%) e positivo para o ramo pecuário (+1%).

A taxa de desemprego caiu para 6,4% entre julho e setembro, o menor nível desde 2013, com 103 milhões de pessoas ocupadas. O rendimento médio dos trabalhadores foi de R$ 3.276, enquanto a taxa de endividamento das famílias atingiu 47,9% em agosto, o maior índice desde 2023. A agropecuária representou 7,76% dos ocupados, totalizando 8 milhões de pessoas.

A inflação, medida pelo IPCA, subiu para 4,76% em outubro, acima da meta de 4,5%. O IPCA mensal acelerou para 0,56%, puxado pelos grupos habitação (+1,49%) e alimentação e bebidas (+1,06%). A carne teve alta de 5,81%. Preocupado com a escalada inflacionária, o Copom aumentou a taxa Selic para 11,25% em novembro.

Fonte: Faesp/Senar

Produção de cana-de-açúcar na Safra 2024/25 sofre redução devido a condições climáticas adversas

A produção de cana-de-açúcar do Brasil para a safra 2024/25, conforme o terceiro levantamento divulgado nesta quinta-feira (28) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), está estimada em 678,67 milhões de toneladas, o que representa uma diminuição de 4,8% em relação à safra anterior.

No entanto, a área destinada à colheita apresentou crescimento de 4,3%, alcançando 8,7 milhões de hectares, resultando em um aumento na extensão plantada. A produtividade média também sofreu queda, com previsão de 78.048 kg/ha, o que representa uma redução de 8,8% comparada à safra passada.

Os principais fatores que contribuíram para essa diminuição incluem o impacto das condições climáticas adversas, como baixos índices pluviométricos e altas temperaturas, especialmente nas regiões Centro-Sul, que são responsáveis por 91% da produção nacional. Além disso, as queimadas nos canaviais, que afetaram diversas áreas no ciclo de produção, também prejudicaram o rendimento das lavouras.

A maior parte da produção de cana no Brasil vem da região Sudeste, que prevê uma retração de 7,4% na safra de 2024/25, com uma estimativa de 434,48 milhões de toneladas. São Paulo, o maior estado produtor, será o principal responsável por essa queda, com uma redução de 35,24 milhões de toneladas.

Fonte: Conab

Após crescer por quatro anos seguidos, faturamento com exportação do agro pode recuar em 2024

Depois de avançar e renovar o recorde por quatro anos consecutivos (2020, 2021, 2022 e 2023), em 2024, o faturamento em dólar com as exportações brasileiras de produtos do agronegócio pode ficar abaixo do ano anterior, conforme mostram pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, realizadas com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), da Secretaria de Comércio Exterior (sistema Siscomex).

De janeiro a setembro de 2024, o faturamento com as vendas externas do agronegócio soma quase US$ 126 bilhões, sendo 1% inferior ao do mesmo período do ano anterior. Segundo pesquisadores do Cepea, esse cenário está atrelado à queda, de 1%, no preço médio em dólar, tendo em vista que o volume escoado se mantém firme, registrando pequeno avanço de 0,3% na parcial deste ano frente ao anterior.

Pesquisadores do Cepea destacam que, neste ano, chamam a atenção os aumentos nas quantidades escoadas de algodão em pluma (de expressivos 134%), de café (+42%), de açúcar (+35%) e carne bovina (+28%). Como de costume, a demanda da China, Europa e Estados Unidos por produtos brasileiros tem se mantido firme.

Fonte: Cepea

Plantas daninhas na soja são desafio na safra

Devido à seca durante o período invernal, houve menor presença de plantas daninhas antes da semeadura da soja, o que criou uma falsa impressão de facilidade no controle. Muitos produtores optaram por uma aplicação única de herbicidas ao invés da dessecação em duas fases, a chamada dessecação sequencial. Esta decisão gerou resultados variáveis, com alguns casos de eficácia limitada. As informações são do pesquisador Fernando Adegas, da Embrapa Soja.

Na fase inicial da safra, houve relatos de fitotoxicidade na cultura da soja, causada pela utilização de herbicidas pré-emergentes e pós-emergentes. Adegas explica que sintomas como amarelamento e crescimento reduzido são comuns, especialmente em condições adversas, como aplicações mal realizadas ou chuvas intensas. Ele enfatiza a importância de os agricultores monitorarem esses sintomas e buscarem orientação técnica antes de tomar qualquer medida.

Por sua vez, o controle de plantas resistentes aos herbicidas é um dos principais desafios atuais no manejo de plantas daninhas. Adegas destaca que o uso excessivo de glifosato tem levado ao aumento de resistência de algumas espécies, como o capim-amargoso e a buva.

Para lidar com esse problema, ele recomenda manejo integrado que inclua, além dos herbicidas, a utilização de culturas de cobertura e palhada, contribuindo para a sustentabilidade da produção.

Fonte: Revistas Cultivar

Redução de gastos ameaça Proagro e gera preocupação

O pacote de ajuste fiscal apresentado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na última quarta-feira (27), trouxe mudanças que podem afetar significativamente o agronegócio brasileiro, especialmente no que diz respeito ao Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro). Com o objetivo de economizar R$ 70 bilhões em dois anos, as medidas têm gerado incertezas entre os produtores rurais.

Em 2023, o governo federal destinou R$ 10,3 bilhões ao Proagro, que oferece cobertura financeira contra perdas provocadas por fatores como clima adverso, pragas e doenças. Para 2024, a previsão é de R$ 12 bilhões. No entanto, a decisão de incluir o programa no orçamento geral da União o sujeita a limites rígidos, o que pode comprometer a abrangência e continuidade.

Segundo o ministro, atualmente, o Banco Central envia os custos do Proagro ao governo sem respeitar os limites previamente definidos, dificultando o planejamento orçamentário. A nova regra busca “controlar os gastos sem previsão no orçamento”. Isso significa que o Proagro terá um teto de recursos, podendo diminuir o número de beneficiários.

Fonte: Terra Viva

Elevadas doses de calcário no solo aumentam produtividade da soja no Matopiba

A utilização de altas doses de calcário para cultivo de soja de primeira safra, na região do Matopiba, garante um aumento de até 30% na produtividade, em relação às doses recomendadas pelos documentos oficiais.

A prática não causa desbalanceamento na fertilidade do solo, embora possa ocorrer uma diminuição dos nutrientes, que pode ser corrigida com adubação. Estas são as principais conclusões dos estudos que vêm sendo conduzidos pela Embrapa Meio-Norte (PI) nos estados do Piauí, Maranhão e Pará desde o ano de 2019. O Matopiba abrange parte dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

As pesquisas foram iniciadas a partir de uma demanda da Associação dos Produtores de Soja do Estado do Piauí (Aprosoja-Piauí), que identificou, junto a alguns produtores, a utilização de doses de calcário mais elevadas em algumas áreas.

O pesquisador da Embrapa Henrique Antunes explica que a prática tem sido adotada pelo valor dessa commodity. “Os produtores vêm abrindo áreas com doses mais altas de calcário e já plantando soja, que traz um certo retorno. Em outras situações, começam com forrageiras e no segundo ano entram com a soja”, afirma. 

A adoção dessa prática, sem respaldo técnico-científico, dificulta o acesso dos produtores ao crédito bancário, “por isso, a pesquisa ajuda a gerar novos critérios que tragam mais segurança para o agricultor”, avalia Antunes. 

Fonte: Embrapa

Soja perene pode se tornar erva trepadeira e ser um problema em cafezais

Tem sido observado, em algumas lavouras de café, que a soja perene pode passar a ser um problema, cobrindo, com gravidade, a copa dos cafeeiros. 

A soja perene (Neonotonia wightii) é uma leguminosa de origem africana, introduzida no Brasil na década de 50 para uso como forrageira em pastagens, visando enriquecer a área de proteína. A planta também é usada, consorciada ou não, especialmente em pomares de fruteiras, para funcionar como adubação verde. 

Como o nome indica, trata-se de uma planta perene, que pode se desenvolver o ano todo, rebrotando. A sua reprodução principal se dá por sementes, mas também se multiplicam a partir de estacas do caule e de suas raízes. 

Na lavoura de café, a soja perene se desenvolve inicialmente de forma rasteira, mas logo sobe nos cafeeiros e, sem controle, chega a cobrir completamente a copa das plantas, assim concorrendo duplamente, retirando água e nutrientes do solo e reduzindo, pela cobertura, a fotossíntese pela folhagem dos cafeeiros. 

Como a eliminação de ervas trepadeiras se dá pelo seu arranquio junto à linha de cafeeiros, a soja perene dificulta essa prática, já que tem a capacidade de rebrota pelas suas hastes e raízes.

Fonte: Cafepoint